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Plano de Contingência

Summary:

Ao saber do problema que a Sra. Era poderia causar ao seu negócio de troca de informações por iguarias culinárias com o detetive Shin, a policial Yoshie decide fazer algo a respeito e para isso ela expõe um dos segredos da mulher do chefe.

"— Você disse que ficaria do lado dela caso pedisse o divórcio. - Acusa Wataru.
— Não foi o que eu quis dizer.
— Mas foi o que ela entendeu.
— A bajulação foi mais forte do que eu.
— Sinto muito senpai, se isso continuar pode dar adeus a sua promoção.

O detetive Shin arregala os olhos transtornado com a possibilidade."

Notes:

Uma reescrita do final do episódio 6.

Nunca me senti tão solitária em um Fandom.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

  A policial Yoshie Uwasa está atualmente no seu intervalo, ela marcou com outras colegas para visitar um novo restaurante naquela tarde. Seu semblante é costumeiramente estoico mas por dentro o coração pulsa de ansiedade e excitação, é de conhecimento geral que a mulher é uma amante da culinária. Ela é sempre vista apreciando alguma iguaria doce, fazendo todos se questionarem onde consegue tais tesouros.

  O que ninguém sabia era que Yoshie mantinha um negócio bastante lucrativo com os dois melhores detetives do departamento, Shin Takano e Wataru Yonaka. Em troca das informações que ela pode fornecer, eles lhe trazem diversos lanches de edições limitadas ou dos lugares em que suas investigações os levam. 

  Seus olhos brilham de expectativa quando passa pela porta que leva as escadas, mas franze levemente o cenho notando as duas figuras conhecidas no corredor. O detetive Wataru esta em pé encostado contra a parede de braços cruzados, olhar fixo em seu parceiro de equipe o detetive Shin, que agachado no lado oposto tem as mãos sobre a cabeça bagunçando completamente o cabelo em uma evidente demonstração de nervosismo.

  Yoshie percebe a aura pesada ao redor do homem mais velho, ela ouviu alguns rumores dessa forma deduzindo o que poderia ter acontecido, mas claro que precisava de uma confirmação. Seja lá o que fosse poderia ser dito depois de um almoço delicioso no recém restaurante de seus sonhos, portanto simplesmente ajeita os óculos e passa pelos dois detetives que sequer erguem a cabeça. Assim que desce o primeiro lance das escadas inclina o rosto para o lado, observando ambos os homens com a visão periférica.

"Acho que vou pedir a edição limitada da ¹gelatina de café exclusiva do ²restaurante K como meu próximo pagamento." 

— Me contem tudo no caminho.

  Os dois homens levantam a cabeça atordoados como se a vissem pela primeira vez, eles se encaram brevemente trocando olhares que mais parece uma conversa silenciosa. Por fim, ambos acenam com a cabeça em concordância mútua e a seguem.

 

 

 

+  +  +  +  

 

 

 

— E então? - Questiona Yoshie algum tempo depois, seu humor elevado por um saboroso sorvete de pêssego.

  Na frente dela estão Shin e Wataru, o primeiro respirou forte e disse.

— De acordo com as informações que você me deu eu comprei o presente para a Sra. Era e ela adorou a propósito, obrigado pela informação. Mas... Acho que posso ter exagerado. 

— Acha? - Wataru responde sarcástico.

Yoshie ergue a sobrancelha com isso, Wataru geralmente demostra grande admiração por todas as ações de Shin, pra ele está falando com seu aparente ídolo e comparsa daquela maneira...

— Você a seduziu. - Deduz ela.

— Não foi minha intenção.

— Você disse que ficaria do lado dela caso pedisse o divórcio. - Acusa Wataru.

— Não foi o que eu quis dizer.

— Mas foi o que ela entendeu.

— A bajulação foi mais forte do que eu.

— Sinto muito senpai, se isso continuar pode dar adeus a sua promoção.

  O detetive Shin arregala os olhos transtornado com a possibilidade.

— Se não for morto pelo chefe Era antes disso. - Yoshie comenta baixinho antes de tomar outra colherada de sorvete.

— UWASA-SAN! Você sabe de alguma coisa que possa me ajudar? Precisa ser algo sutil, também não quero atrair a raiva dela. - Implora Shin.

— Tem algo que a Sra. Era gosta muito além de romances de mistério.  - A policial vagueia os olhos de um para o outro, o brilho perigoso neles fazendo os dois detetives engolirem em seco.

 

 

 

+  +  +  +  

 

 

 

  A Sra. Era salta de alegria pela casa enquanto aguarda a chegada iminente de Shin Takano, seu querido detetive, ela suspira contente com o pensamento de estar novamente a sós com ele. Acontece que não só seduzi-lo, mas também a ideia de usar nele as técnicas de captura que aprendeu em seus livros de romance policial era emocionante. 

  O toque da campainha soa como sinos de igreja em seus ouvidos, ela destranca o portão com o controle remoto e sai no mesmo instante com o regador em mãos, para que Takano tivesse a clara visão dela molhando as plantas graciosamente assim que passasse. Isso era uma referência a um dos seus romances favoritos, quando o protagonista masculino em meio a investigação de um caso conhece a viúva da vítima e imediatamente se apaixona por ela.

"Isso vai ser perfeito."

  Imagine seu desânimo quando vê o parceiro do detetive surgir ao lado dele, ambos no que parece ser uma conversa bastante animada nem sequer a notam até que chegam na porta da casa. O peito da Sra. Era queima de ciúme, ela precisava achar um jeito de tirar o rapaz intrometido de cena. 

  Respirando fundo a mulher vai até eles, Takano parece lindo como sempre usando um terno azul acinzentado por cima da camisa branca, seu cabelo exibe aquela bagunça fofa característica que faz ela se perguntar quão macio deve ser.

— Takano-kun, eu disse que dessa vez só precisava de um de vocês. - Comenta a mais velha, evitando explicitamente olhar para o outro rapaz.

  Isso não é possível quando o próprio Yonaka responde.

— Nós sabemos Era-san, acontece que ontem estávamos no meio da perseguição de um criminoso quando o Takano-san torceu um pouco o pulso e o médico deixou claro que ele não deveria carregar muito peso até a próxima semana.

— Pobrezinho, você está bem Takano-kun? E o criminoso? Ele foi pego? 

  A atenção dela é totalmente desviada para o acontecido, afinal foi para saber mais sobre esse mundo e ouvir histórias de casos reais em primeira mão que ela se casou com um policial.

— Sim eu estou bem... 

— Por que não entramos? eu quero ouvir tudo.

  Ela os leva para a sala de jantar e ouve a história de como eles prenderam uma facção inteira extasiada, sua imaginação florescendo vividamente com os detalhes ricos de Yonaka e Takano. Mas assim que o relato termina ambos os homens se oferecem para mover os objetos e consertar a estante de livros, que foi a razão inicial pela qual ela tinha chamado o detetive. 

  A Sra. Era cai em si quando os dois se movem para ficar de pé e escapam para o escritório levando uma pequena maleta de ferramentas, vendo-se completamente sozinha a mulher se xinga internamente pela distração. Respirando profundamente ela permite que o momento passe, afinal alguém realmente precisava concertar aquela estante e o caso que ambos compartilharam a animou. Ela prepara algo para os rapazes comerem e dessa vez não envenena a bebida do detetive Shin, pois planejou outra forma de fazê-lo cair.

  A aficionada por romances sobe a escada momentos depois com uma bandeja cheia de lanches, ela se aproxima da porta quando ouve um resmungo. Curiosa, deixa a bandeja numa pequena estante ao lado e põe o ouvido na superfície de madeira da porta para ouvir, o que vem primeiro é a voz do detetive Wataru.

— Não me toque, estou chateado com você.

— Me desculpe Yonaka, você sabe que estou tão acostumado a agir assim... É como uma segunda natureza. - Takano responde, sua voz soando arrependida.

— Mas não se deixe dominar por essa natureza, me deixou preocupado...

— Sinto muito, Yonaka.

  Perduram-se alguns segundos de silencio quando de repente, o barulho de algo caindo seguido da voz alarmada de Takano chamando pelo seu parceiro faz a mulher saltar para longe. Percebendo uma brecha, a Sra. Era empurra um pouco a porta para poder ver o que estava acontecendo, o que encontra desperta nela um interesse maior do que seduzir o encantador detetive.

  Ela presencia Yonaka encostado contra a estante de livros, acima dele uma das tábuas de madeira perece ter pendido para o lado deixando vários de seus romances caírem no chão. Com o braço direito flexionado contra a superfície da estante acima da cabeça do detetive mais novo para protegê-lo da chuva de livros, está um Takano ofegante de olhos cheios de medo e preocupação. Sua outra mão segura a cabeça de Yonaka firmemente contra seu peito, segundos se passam e como se desperto de um sonho o mais baixo se afasta lentamente encarando seu parceiro com ar chocado.

— Takano-san...

  Sua fala é interrompida quando um último livro particularmente volumoso cai na cabeça do homem mais velho, fazendo um grito agudo escapar dos lábios da Sra Era, felizmente o próprio grito de Yonaka camufla o som.

— TAKANO! 

— Estou bem.

— Tem certeza? Não, eu vou verificar.

  A mão ainda pousada contra a cabeça do detetive mais jovem desce para seu pescoço, Takano sorri solenemente como se nada tivesse acontecido. 

— Yonaka, estou bem. - Ele diz movendo o braço direito para bagunçar o cabelo de seu parceiro, ignorando seus protestos.

— Se você diz...

  Quando Takano para de provoca-lo apenas ajeita carinhosamente o cabelo do outro, o tempo em que ambos se encaram com sorrisos singelos faz a Sra Era corar.

"Takano-kun disse que não tinha uma namorada mas e se..." O pensamento provoca uma vermelhidão em suas bochechas, ainda mais profunda do que antes.

"Eles parecem tão fofos." 

 Naquele momento, um arrepio atinge a espinha de Takano que estremece.

— É ela? - Sussurra Yonaka na esperança de não ser ouvido.

  Um aceno curto foi sua única resposta, isso provoca um sorriso encorajador do jovem detetive.

— Vamos só colocar todos esses livros em algum lugar, sim? - O tom de Takano é nervoso.

 Os dois se movem silenciosamente levando os livros para um canto perto da janela, Yonaka se distrai com aquele volumoso que caiu na cabeça de seu parceiro, suas costas desprotegidas do olhar atento da anfitriã.

— Acho que já li esse livro antes. - O mais novo abre em uma página aleatória, seu rosto transformado numa careta ao notar a quantidade de poeira.

— Hum? 

 Takano se vira para Yonaka no mesmo instante em que o rapaz assopra a poeira acumulada das páginas, que voam para o rosto atingindo os olhos desprotegidos do detetive mais velho. Takano solta um resmungo baixo esfregando as órbitas com urgência, mantendo os olhos bem fechados enquanto o outro detetive o segura pelos ombros.

— Me desculpe. - O mais baixo diz em tom de alarme. - Fique parado, eu vou assoprar.

  Takano sente um par de mãos embalando seu rosto, ele abre os olhos com cautela sentindo-os lacrimejar e encontra a imagem embaçada de Yonaka. O mais velho descansa sua palma contra o ombro do jovem enquanto este aproxima seu rosto do dele, soprando suavemente para afastar a poeira.

— Você cheira a dango. - Reflete Takano.

  Uma risadinha baixa escapa dos lábios do outro e ignorando seu colega, Yonaka se afasta com cuidado.

— Se ainda estiver incomodando é melhor lavar o rosto.

 O mais alto pisca algumas vezes tendo certeza de que a coceira tinha passado e seus olhos não ardiam mais como antes, a primeira coisa que ele capta são os olhos castanhos e acolhedores de Yonaka. Uma batida na porta faz os dois se virarem e instantaneamente o alerta de perigo de Takano aciona mais uma vez, quando seu olhar encontra os tempestuosos olhos negros e o sorriso perigoso da mulher de seu chefe.

— Rapazes, que tal um lanche? - Pergunta a Sr. Era em um tom doentiamente doce.

  Os dois detetives trocam um breve olhar entrando em acordo.

— Obrigado, nós aceitamos.

"Não acho que ela vai usar o mesmo truque de envenenar o copo... Assim espero."

  Takano percebe como a aura intensa da mulher mais velha parece estar focada no homem mais baixo quando entra para colocar a bandeja que carregava na mesinha do escritório, isso o deixa perturbado pois não queria envolve-lo tão profundamente nessa situação.

"Me desculpa Yonaka."

  Como se ouvindo seus pensamentos, o detetive sente a mão do parceiro serpentear contra a dele apertando levemente tentando transmitir todo o conforto que conseguia. 

— Estou com você Takano. 

  A frase sussurrada traz um sorriso genuíno em seu rosto, ele vira a cabeça encontrando uma expressão tão brilhante e gentil que prende sua respiração por um momento. Essa é uma das qualidades que Takano mais admira em seu parceiro, o dom maravilhoso de fazer as pessoas sorrirem.

  Um pigarro atrai a atenção de volta para a Sra. Era que esboça um sorriso estranho e bochechas avermelhadas.

— Sinto muito rapazes, eu esqueci de comprar mais garrafinhas de refresco e só encontrei 1, vocês não se importam de dividir não é?

 

 

 

+  +  +  +

 

 

 

  O plano funcionou tão bem que Takano quase salta de alegria pouco antes deles se despedirem da mulher de seu Chefe, mas ele se contém e permanece assim até que estão bem longe da residência Era. O policial finalmente se permite respirar tranquilo enquanto caminham vagarosamente por uma praça, ele sorri para seu parceiro de equipe que retribui o gesto. 

— Tudo graças a Uwasa-san, a Sra. Era não me odeia e finalmente me deixou em paz. YONAKA! - Ele se vira abruptamente para seu colega, segurando suas mãos como alguém desesperado por um salva vidas. — Você não precisava participar desse plano, muito obrigado mesmo.

— Sempre que precisar. - O sorriso adorável de Yonaka faz sua alegria aumentar.

  Porém, o semblante de seu parceiro de repente cai, mas estranhamente o alerta de perigo não é acionado.

— O que foi? Yonaka o que está errado?

— Takano você não acha... Que a Sra. Era nos chamaria de novo não é?

— Por que ela faria isso?

— É que... se pensar bem ela te usou pra encenar algumas cenas de livros policiais, e agora desviamos a atenção romântica dela por você. 

— E? 

— você não acha que ela tentaria... Nós colocar em uma posição que satisfaria suas expectativas sobre romance BL? - O rosto do policial ficou mais pálido enquanto Yonaka continua. - Ela nos fez compartilhar um beijo indireto e de vez em quando me empurrou na sua direção, ouvi dizer que fujoshis e fudanshis são bem entusiasmados e diabolicamente criativos.

 A percepção das palavras de Yonaka finalmente atingem o outro detetive, que se senta em um banco com semblante cabisbaixo.

— Então eu não só não me livrei dessa situação, como também te arrastei comigo.

  O mais novo encara Takano com ar de pena e se senta ao lado dele, encostando seus ombros na tentativa de transmitir conforto.

— Já disse que está tudo bem, afinal já enfrentamos muita coisa juntos não é?

— Sim... Você tem razão. 

  Takano suspira mais uma vez, no entanto a presença de Yonaka contra ele alivia a sensação apreensiva que ameaça sua paz, e o sorriso oferecido pelo mais novo é suficiente para aquece-lo.

 

 

 

FIM

Notes:

Eu tentei lembrar de alguns clichês de mal-entendidos que acontecem muito em animes e Doramas e isso surgiu.
Não defendo a senhora Era mas da forma que eu vi o Takano despertou o lado aventureiro dela, parecia mais que a mulher queria uma vítima para os métodos que ela leu nos livros do que ter um romance real com ele. Esse foi o meu ponto de vista pelo menos, se você assistiu e pensa diferente por favor comente.

² O restaurante K mencionado é uma referência a Fermat no Ryōri (A Cozinha de Fermat). Eu simplesmente gosto de fazer pequenas referências a outras séries quando vejo a oportunidade.

¹ Já a gelatina de café é uma referência carinhosa ao anime Saiki Kusuo no Psi-nan.

Agora eu tô imaginando o que aconteceria se eles encontrassem o protagonista de “Fudanshi Bartender no Tashinami” seria um crossover caótico 😂😂😂